Cimentação

A cimentação é a etapa de conclusão da reabilitação com restaurações indiretas. É uma etapa fundamental. Podemos concluir com chave de ouro um procedimento restaurador trabalhoso e complexo, no entanto, podemos por todo este trabalho a perder caso esta etapa seja negligenciada.
Abaixo temos três vídeos que compõe uma aula de cimentação de restaurações indiretas, eles se complementam e devem ser assistidos em sequência para manter a compreensão do conteúdo. Aproveitem.

O vídeo abaixo só deve ser assistido após o anterior

O vídeo abaixo é a complementação dos outros vídeos e só deve ser assistido após o anterior

CIMENTAÇÃO PROVISÓRIA

Os cimentos provisórios são importantes durante as várias etapas de confecção de uma restauração indireta. Sem um agente com as propriedades dos cimentos provisórios não conseguiríamos realizar tantas etapas removendo e recimentando as restaurações provisórias.

Estes cimentos apresentam uma peculiaridade importante, são resistentes às forças de compressão que são características das forças mastigatórias funcionais, no entanto, apresentam baixa resistência a forças de tração. Dessa forma podemos removelos durante as sessões de ajuste da provisória, moldagem e ajuste da restauração indireta.

Os cimentos provisórios são capazes de provocar inflamação gengival principalmente quando ficam alojados no interior do sulco gengival. Os restos de cimento geralmente são direcionados para o interior do sulco gengival e na maioria das vezes passam desapercebidos ao exame menos atento do operador.

A presença do cimento só é percebida na sessão seguinte onde muitas vezes constatamos que é responsável pela inflamação da gengiva na região. Esta inflamação pode em algumas situações impedir a moldagem devido ao grande afluxo de exsudato inflamatório.

Para prevenirmos esta situação devemos tomar algumas precauções durante a cimentação da provisória. O primeiro procedimento deve ser a lubrificação da região cervical da provisória com vaselina sólida. Este procedimento dificulta a fixação do cimento nas margens facilitando a sua remoção. No entanto, somente com um exame minucioso do interior do sulco gengival após a cimentação é que teremos a certeza de que foi removido todo o cimento do interior do sulco gengival.

O vídeo abaixo mostra a manipulação e cimentação com o cimento de hidróxido de cálcio.

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O cimento de óxido de zinco e eugenol é um dos cimentos temporários mais utilizados. Apresenta um custo baixo e facilidade de manipulação. Outra característica é sua facilidade de limpeza das superfícies internas da provisória. Este aspecto pode ser importante pois geralmente a provisória foi reembasada e a região cervical apresenta uma união mais frágil, é comum que este reembasamento se desloque quando estamos removendo os restos de cimento do interior da provisória. Estes deslocamentos são mais comuns quando o cimento utilizado é mais resistente e exige maior esforço para remoção.

No entanto, o óxido de zinco e eugenol é contra-indicado em restaurações indiretas que forem cimentadas com cimentos resinosos devido a presença do eugenol que mesmo em quantidades residuais pode interferir na formação da camada híbrida entre o adesivo e o dente. Nestas situações devemos utilizar o óxido de zinco modificado que não apresenta eugenol na sua composição.

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Cimentos permanentes

A cimentação de uma restauração indireta depende muito do tipo de cimento escolhido. Dessa forma, um planejamento adequado desde o início do tratamento pode evitar resultados que colocam a perder todo o trabalho realizado até aquele momento.

FOSFATO DE ZINCO

A origem do cimento de fosfato de zinco data de meados de 1850 e é um dos cimentos mais antigos que ainda são encontrados no mercado. A sua fórmula mantém-se inalterada desde que em 1878 teve sua composição melhorada. No entanto, ainda é um cimento que apresenta grande dissolução no meio bucal e alta irritabilidade devido a sua acidez.

Apesar destas características indesejáveis ainda é um dos cimentos mais utilizados pricipalmente em função da previsibilidade alcançada pela experiência clínica obtida na sua utilização.

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O fosfato de zinco é um dos cimentos mais avaliados clinicamente entre todos os tipos de cimento. Este fato faz dele um dos mais seguros usados na odontologia.

A composição do cimento de fosfato de zinco deve ser analisada para o pó e para o líquido:

- óxido de zinco (90%)

- óxido de magnésio (8,3%)

- bismuto (0,1%)

- sílica (1,5%)

Líquido

- ácido fosfórico

- água de alúmina

- e em algumas composições apresenta óxido de zinco

Os componentes do pó são sinterizados a uma temperatura de 1.000 a 1.400 graus centígrados e formam um bloco que posteriormente é desgastado até virar um pó fino. O tamanho destas partículas é controlado pois interferem com a velocidade de presa do cimento.

A reação de presa do cimento ocorre pela mistura entre o pó e o líquido. O ácido fosfórico age na superfície das partículas do pó, liberando ions de zinco. O alumínio reage com o zinco produzindo um gel de fosfato de alumínio e zinco sobre a superfície da porção remanescente das partículas. Após a presa o cimento forma uma estrutura composta por zinco que não sofreu reação, envolvidas por uma matriz amorfa e coesiva de aluminofosfato de zinco.

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CIMENTO RESINOSO

O cimento resinoso tem por base o desenvolvimento dos sistemas adesivos e é um dos cimentos com maior variedade de cores, tipos de adesivos e tipo de ativador da polimerização.

Os cimentos resinosos podem ser diferenciados pelo tipo de ativação da polimerização utilizada pelo fabricante. Basicamente encontramos três tipos de cimento:

- cimento resinoso ativado químicamente

- cimento resinoso fotoativado

- cimento resinoso de ativação dual

Os vídeos abaixo descrevem alguns dos tipos mais usados de cimento resinoso.

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Cimento de Ionômero de Vidro

O cimento de ionômero de vidro foi desenvolvido por Wilson & Kent, em 1969, e foi relatado no meio científico no ano de 1971.

O cimento de ionômero de vidro foi obtido a partir do cimento de silicato muito utilizado naqueles tempos em pequenas restaurações em dentes anteriores. Introduzindo o ácido poliacrílico no lugar do ácido fosfórico, foi possível obter um material restaurador que tem a vantagem de agregar as características favoráveis do pó do cimento de silicato e melhores propriedades mecânicas obtidas com a reação ao ácido poliacrílico.

O cimento de ionômero de vidro é classificado em três grupos: Tipo I usado para cimentação de restaurações indiretas; Tipo II utilizado para restaurações diretas; e o Tipo III usado para forramento ou base de restaurações.

Composição: segungo Phillips (1986) o cimento de ionômero de vidro é composto por um pó cujo principal componente é um vidro de silicato alumínico. O líquido é formado por uma solução aquosa de um copolímero do ácido poliacrílico e outros ácidos orgânicos que determinam menor viscosidade, característica importante principalmente para os agentes de cimentação.

A manipulação apresenta características próprias. O pó deve ser adicionado ao líquido em grandes porções e misturados rapidamente durante 45 segs.

O cimento de ionômero talvez seja o cimento que apresenta a técnica mais fácil de executar entre os cimentos encontrados no mercado.

Outro fator importante que influencia na escolha deste cimento é a possibilidade de liberação de fluor. Infelizmente faltam elementos que comprovem de forma inquestionável esta afirmação.

Uma característica que compromete o seu uso é contaminação pela saliva, que quando não controlada adequadamente pode comprometer o resultado final do trabalho.

A sua utilização portanto, deve ser realizada em situação clínicas selecionadas. Devemos evitar casos onde não possamos garantir a ausência de líquidos que possam contaminar este cimento.

Abaixo apresentamos a técnica preconizada pelo fabricante do ionômero de vidro para cimentação de coroas e com polimerização convencional(química).

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O vídeo abaixo descreve o processo de cimentação com ionômero de vidro de quatro coroas confeccionadas com o sistema Procera.

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Este vídeo descreve a cimentação de duas coroas metal free. O cimento utilizado foi o ionômero de vidro.  A técnica descrita aplica o cimento nas bordas cervicais da coroa. Esta técnica distribui o cimento por toda a coroa e dente preparado de forma uniforme sem formar uma pressão hidráulica significativa. Assim evitamos que a coroa não se assente corretamente. A cimentação é um ponto crítico no processo de confecção de coroas protéticas.   Muitos trabalhos se perdem durante esta etapa. Não podemos negligenciar os procedimentos que garantem o ajuste conseguido nas etapas anteriores. Durante a semana iremos colocando outros posts com conteúdo sobre cimentação, palavras cruzadas, artigos e mais surpresas. Aproveitem, um abraço Prof. Sérgio Sábio

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25 comentários sobre “Cimentação

  1. ola prof. sergio, tudo bem como senhor?
    gostaria de saber se o senhor pode disponibilizar aqueles artigos sobre a utilização do ultra som, ou então pelo menos me orientar com os resumos dos artigos, pq eu posso tbm ir no comute da minha cidade e pedir os artigos, bom por enqunto é isso, se puder me ajudar ficarei muito grato!
    grande abraço e até mais!

  2. prof. sergio, fico muito grato, e aguardo o tempo necessario pro senhor me mandar oque puder, muito obrigado e tudo de bom! grande abraço e valeu pela força!

  3. ola prof sergio, muito obrigado pela disponibilidade de me ajudar com esses artigos, o nome e o meu endereço são:
    nome: gustavo frança bertholdo de souza
    av. tenente coronel duarte,
    numero 267,
    bairro: centro/prainha,
    primeiro andar,
    cep 78015-500
    cuiaba-MT ,
    fica muuito grato ao senhor por me ajudar,
    e quando eu estiver fazendo a minha pesquisa vou passando para o senhor olhar e ver o que acha, muito obrigado pela força um grande abraço e ate mais!!!!

  4. Boa tarde.
    Queria saber qual é o tipo de adesão do cimento de fosfato de zinco (se é por retenção mecânica ou adesão química), e queria tambem saber se este cimento é apenas utilizado para cimentações definitivas, ou tambem para cimentações provisorias.

    Muito obrigado

  5. adorei esta explicação sobre a cimentação, é realmente muito interessante e a sua explicações e videos são otimos também! Parabéns!

    • Olá Caroline, fico contente q tenha sido útil para vc. O objetivo do blog é este fornecer conhecimento q possa ajudar de alguma forma, estamos editando material novo e em breve teremos mais conteúdo no blog. Um abraço, Prof. Dr. Sérgio Sábio.

  6. Sou de Macaé / Rj e o Sr. tem me ajudado muito na minha clínica diária, sou apaixonado por prótese e digo para os meus amigo que aqui, faço minhas atualizações. O blog é fantástico. Continue com essa iniciativa. Parabéns.

  7. Só queria dize quechei esse site muito útil…
    realmente bom…
    Os professores da minha faculdade pediram um trabalho sobre esses Materiais Protetores e Restauradores Provisórios… e pude tirar grandes referências dos vídeos e dos textos…!!!
    valeu… continue postando… é muito bom p/ nós alunos!
    t+ bj.

  8. Oi. estou fazendo uma pesquisa e estou DESESPERADA atras da porcentagem dos componentes de alguns cimentos resinosos.. será que vc poderia me ajudar?
    Os cimentos sao: Panavia F 2.0; Clearfil Esthetic Cement; Enforce Fluor. Obrigda!

  9. Boa noite professor…Estou agora iniciando minha vida profissional e queria uma explicação a respeito da cimentaçào provisória de coroas anteriores com o uso de nucleos de fibra?usei o material da ivoclar para cimentar os pinos e agora estou na duvida em relaçãoa cimentação provisória…qual o melhor cimento neste caso?obrigada pela atenção.

  10. Boa noite,

    Sou médica dentista portuguesa e descobri há pouco tempo o seu site. Gostaria de lhe enviar os meus parabéns e um muito obrigado pela disponibilidade em falar e filmar aquilo que muitas vezes devia ser leccionado nas faculdades e não é. Continuo a aprender mais um pouco de cada vez que visito este site. Continue! Felicidades na vida e na carreira.

  11. Oi Professor
    Sou professora no curso de odontologia, disciplina Adequação do Meio, e tenho dúvida quando ao cimento oxido de zinco engenol usado no selamento provisório.
    A pergunta é:
    Quando uma porção do cimento espatulado não foi suficiente para o´preenchimento de uma cavidade, posso complementar com outra porção de cimento, ou tenho que retirar todo o cimento já colocado na cavidade e refazer uma porção maior?
    Atenciosamente.
    Vania

    • Olá Vania desculpe o atraso mas meu computador estava com problemas. Sobre o IRM, não há união química entre as camadas, isto exige uma retenção mecânica entre cada camada e o dente. Um abraço, Prof. Sérgio

  12. Boa noite,
    sou estudante de odontologia da Paraíba, gostei muito do seu site e gostaria de tirar uma dúvida: “Qual a importância de existirem partículas não-reagidas no produto final do cimento de oxido de zinco e elgenol?”
    Espero por respostas e agradeço dês de já.
    Jaqueline Marinho.

  13. Oi professor ,gostaria de saber o passo a passo de cimentação doe coroa metaloceramica com o uso de ENFORCE(DENTSPLY). Gostaria de saber a sua opinião sobre o dito cimento e se o senhor já o usou alguma vez, e quais as situações em que se usa esse cimento… Grato e obrigado pelas dicas ..

  14. Sérgio, quanto à cimentação de lentes de contato, posso proceder como cimentação de porcelana feldspática e utilizar o sistema adesivo scotchond MP e rely x e condicionar a porcelana com ácido fluorídrico e aplicar silano ou precisa ser um sistema de cimentação específico?

  15. olá sou giselly alves e estou fazendo o curso de auxiliar de saude bucal já estou no 3º modulo na parte dos agentes para proteção pulpar e estou com a cabeça bastante complicada sem entender nada! sera que alguem poderia me ajudar com algum material ficarei muito agradecida

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