Entrevista com o Prof. Clóvis Bramante

ODONTO ENTREVISTA Nº 72

Reconhecimento a CDs de Sucesso!

PROFESSOR CLOVIS MONTEIRO BRAMANTE

   

Clovis Monteiro Bramante, filho de Giacomo Bramante e Alice Monteiro Bramante, nasceu em Sorocaba, SP em 1939. Graduou-se pela Faculdade de Odontologia da Universidade Católica de Campinas, em 1962. Em 1964 ingressou na faculdade de Odontologia de Bauru-USP, para trabalhar na área de endodontia. Mestre, doutor, livre-docente, professor-adjunto e professor-titular de Endodontia da Universidade de São Paulo por concurso público.

Editou doze livros na área de endodontia entre eles: Endodontia Prática (Sarvier), Recursos audiovisuais aplicados à Odontologia (Pedro I) Endodontia-Fundamentos biológicos e clinicos (Santos) Recursos radiográficos aplicados ao diagnóstico e tratamento endodontico (Pancast)Anatomia das cavidades Pulpares (PedroI), Endodontia (UEL), Acidentes e complicações no tratamento endodontico (Santos), Cirurgia parendodontica (Santos), Retratamento endodôntico-quando e como faze-lo (Santos). Participou também em mais de 25 capítulos de livros de distinguidos autores do cenário endodontico brasileiro. Publicou mais de 250 trabalhos científicos no Brasil e no exterior. Participou em mais de 200 bancas de concursos universitários. Ministrou 430 cursos no Brasil, América do Sul, América Central e Europa. Recebeu mais de 80 homenagens por diferentes entidades de classe, no Brasil e no exterior. Foi pesquisador Nível A do CNPq durante 20 anos. Um currículo digno da homenagem!

Quem o influenciou a fazer Odontologia?

Foi uma decisão minha. Eu não tive anteriormente nenhum parente na área de Odontologia. Estava fazendo cursinho pré-vestibular em Sorocaba,  quando decidi fazer o vestibular para Odontologia na faculdade de odontologia da Universidade Católica de Campinas, época em que o exame era escrito, oral e prático e fui aprovado em segundo lugar. 

Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo?

Meu ensino básico foi na cidade de Bauru, onde vim morar com um ano de idade. O último ano do colegial e o cursinho pré-vestibular fiz na cidade de Sorocaba, morando com uma tia, irmã de minha mãe, e daí segui para Campinas onde ingressei em 1958 na Faculdade de Odontologia me graduando em 1962, tendo como paraninfo Adhemar de Barros Filho, então governador de São Paulo. Tive lindas lembranças uma vez que a nossa turma era composta de 68 alunos, a maioria de fora da cidade e a convivência sempre foi muito boa.  Durante os 4 anos de faculdade convivi em uma república com meu colega Jose Jorge Mobaier, verdadeiro irmão, com o qual dividia as alegrias e tristezas.  Tivemos grandes professores, destacando-se entre eles, Alfredo Reis Viegas, Arão Rummel, Césio de Pádua Lima Mario Graziani, professores da USP, São Paulo e que ministravam aulas na Faculdade de Campinas. Além das boas lembranças do convívio com os colegas e professores, uma boa lembrança eram os jogos universitários realizados anualmente nos quais eu participava como goleiro de futebol de salão.

Como foi seu início na profissão?

Assim que me formei, voltei para Bauru e, com ajuda do meu pai, montei meu consultório, onde iniciei minha vida profissional fazendo um pouco de clínica geral. Como eu vinha de Campinas onde tivemos o dr. Eugenio Zerloti Filho como professor de Endodontia, muito conhecido e considerado na época, fui convidado a fazer parte de uma clínica composta pelos drs. Paulo Amarante de Araújo, Waldyr Janson, Walter Antunes de Freitas, Francisco Garcia e Euvaldo Giraldis de Carvalho, para a realização dos tratamentos endodônticos. A partir daí passei a me dedicar exclusivamente à endodontia. Meu ingresso na Faculdade de Odontologia de Bauru, eu devo ao meu colega e grande amigo prof. José Mondeli, que, pelo fato de eu ser endodontista me convidou para fazer parte dos professores de Dentística. Iniciamos eu, professor Mondeli, Osvaldo Santos Cardoso, Darli Machado, Michel Miguel e Eurico Estevão. Iniciamos na Dentística supervisionados pelo professor Osvaldo Santos Cardoso, participando tanto das aulas de Dentística como de Escultura Dental. Com o início da endodontia, fui indicado para coordenar essa área e posteriormente passei a contar com a colaboração do prof. Alceu Berbert com o qual conviví até a sua aposentadoria. No início da minha carreira Universitária contei com a orientação do prof. Dioracy Fonterrada Vieira e Guilherme Simões Gomes, que muito influenciaram na minha formação.

Lembra quem foi seu primeiro paciente?

Não, não lembro, mas me lembro como era difícil exercer endodontia naquela época. Os instrumentos eram de aço carbono, difícil de adquirir, pois eram todos importados, e se fraturavam com facilidade.

 Qual foi o seu caso mais difícil?

Como professor e especialista de Endodontia só recebia casos difíceis. Todos os piores casos vinham com o seguinte adendo ao paciente ”se ele não resolver, então ninguém resolve” e isso criava uma expectativa no paciente e na verdade também alguns nós não conseguíamos resolver.

E um que tenha sido o mais gratificante?

Em geral eram os casos de traumatismo, quando os pacientes chegavam com diversas lacerações e muitas vezes o dente fora do alvéolo. Eu me lembro que, numa segunda feira, logo cedo aparece uma garota, jogadora de basquete do time aqui de Bauru, que numa partida no sábado, ao subir em uma bandeja, deram-lhe uma cotovelada e ela perdeu os dentes, incisivo central e lateral superior. Apesar do grande tempo do dente fora da boca e da possibilidade dela vir a perde-los, eu e o prof. Alceu realizamos a implantação com a qual ela ficou muito feliz. Lamentavelmente anos depois ela veio a perder esses dentes.

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?

Não foi um caso pitoresco, mas ele ficou marcado na minha vida e até hoje o uso como exemplo em aula. Estava no meu consultório e apareceu uma senhora para atendimento de urgência. Ela tinha uns 80 anos e estava com uma dor insuportável e já com passagens por diversos profissionais inclusive com diagnóstico de sinusite. Ao examinar o caso constatei que o problema era endodôntico. Após localizar o dente causador, fiz o atendimento necessário. Ao termino da consulta e a paciente já sem dor eu a acompanhei até a saída para ajudá-la na escada. Antes de entrar no carro, onde a aguardava o motorista, ela olhou para mim e me disse: posso fazer uma coisa? E me deu um beijo no rosto em agradecimento por tê-la tirado daquele estado estressante.

Quais foram os seus maiores ou melhores momentos?

Os fatos marcantes de minha vida profissional foram os meus concursos universitários públicos de doutorado, livre docência, professor adjunto e professor titular. Todos eles eram concursos difíceis e, além da grande expectativa, ansiedade tinha-se a preocupação de mostrar à banca examinadora, que em geral eram colegas da área, que estávamos aptos a sermos professores da USP. Em minhas bancas de concursos tive professores de destaque nacional e internacional como Angelo Vella, Ariano Penteado Simões Filho, Dioracy Fonterrada Vieira, José Mondeli, Luiz Valdrighi, Mario Roberto Leonardo, Roberto Holland, os quais muito contribuíram para minha formação acadêmica e a eles agradeço.

Tem algum parente Cirurgião Dentista?

Sim, tive o prazer de que os meus três filhos, Alexandre, Fausto e Clovis Jr seguissem a carreira de Odontologia. Eles residem em Bauru e juntos exercem suas atividade na clínica que eu construí e que exerci minha profissão até a aposentadoria.

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?

Um só não, gostaria de citar alguns, que sempre foram destaques na Odontologia e contribuíram para que ela se tornasse uma odontologia reconhecida no mundo: Alceu Berbert, Jose Mondelli, Luiz Valdrighi, Mario Roberto Leonardo, Roberto Holland, entre outros.

Quem são os seus grandes amigos na profissão?

Posso dizer que tive a sorte de sempre ter grande amigos, iniciando pelo meu colega de disciplina, Alceu Berbert, hoje aposentado e os que trabalham comigo até hoje, Ivaldo Gomes de Moraes, Norberti Bernardineli, Roberto Brandão Garcia, além dos que já citei anteriormente. Quero destacar também o prof. José Alberto de Souza Freitas, tio Gastão, que também veio da Faculdade de Odontologia de Campinas, para ser professor de radiologia na nossa Faculdade e que realizou e realiza um trabalho maravilhoso no centrinho, hoje denominado Hospital de Reabilitação de Deformidades Crânio Faciais.

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?

Aquele que mais divulgou a Endodontia brasileira pelo  Brasil e exterior e que ainda apresenta um entusiasmo muito grande em lecionar é o prof. Mario Roberto Leonardo.

Qual seu livro ou autor preferido na profissão?

Hoje o Brasil dispõe de livros maravilhosos na diferentes áreas e principalmente na endodontia. Dependendo do tema eu procuro um autor em especial.

Qual a revista odontológica que mais gosta de ler?

Acesso a todas as revistas referentes a área do meu interesse, seja as publicadas em papel ou on line. Hoje, tanto no Brasil como no exterior as revistas apresentam trabalhos tanto de pesquisa como de condutas clínicas que merecem ser acessados mantendo-nos atualizados.

Como está vendo o presente momento na Odontologia?

A Odontologia brasileira é bastante reconhecida em todo o mundo e eu posso dizer sem medo de errar que o profissional brasileiro realiza trabalhos de belíssima qualidade, procurando trazer ao paciente uma satisfação com o seu tratamento.

A que atribui o seu sucesso profissional?

Sempre exerci e exerço a minha profissão com muito gosto. Para mim nunca foi um fardo eu ter que ir cedo ou mesmo um feriado ao consultório para atender paciente muitas vezes ficando até tarde da noite. Sempre gostei dos desafios da clínica  e sempre procurei resolver da melhor maneira possível. Na faculdade a minha conduta sempre foi igual, sempre trabalhei independente de horário, feriado, procurando dar o melhor de mim. O importante é ser honesto nos seus princípios.

Quem o ajudou no crescimento profissional?

Como já citei anteriormente, tive o convite do professor Mondeli para o ingresso na faculdade e ele sempre me deu todo o seu apoio. Os demais colegas, que eu também citei, como Mario Leonardo, Valdrighi, Holland, sempre me trataram com muita amizade e carinho e me ajudaram no crescimento profissional. Como eu disse a princípio, tive a sorte de ter grandes amigos.

Sente-se realizado profissionalmente?

Sim, ainda hoje, apesar de aposentado, continuo na faculdade, trabalhando igual ou até mais do que antes de aposentar. A satisfação pessoal é de você ir ministrar um curso principalmente no exterior e ao final verificar quanto as pessoas te consideram e agradecem pelos ensinamentos oferecidos. Isso não tem dinheiro que pague.

Como espera ser o futuro da profissão?

Espero que a nossa profissão seja sempre valorizada e reconhecida e que aqueles que vem atrás de nós dêem a sua parte para que isso aconteça. O dinheiro é uma consequência e não o objetivo.

Deixe uma mensagem para os mais novos:

Acredite naquilo que você faz. Faça o melhor ao seu paciente e você verá quanto gratificante é a nossa profissão.

A palavra é sua para suas considerações finais.

Tudo o que eu tenho hoje, devo a Odontologia, com muita satisfação e dedicação ao trabalhar nesse ramo. Se eu fosse começar de novo começaria com a Odontologia.

Pelo seu currículo, trajetória e por sua participação  no meio, é sem dúvida alguma, um dos grandes nomes da Odontologia, motivo que nos orgulha ter tido esta entrevista, que é uma homenagem. Aos que quiserem parabenizá-lo seu e-mail é: clobra@uol.com.br

RECONHECENDO QUEM FAZ MAIS PELA

ODONTOLOGIA

Antônio Inácio Ribeiro     ribeiro@odontex.com.br

Obs: a entrevista abaixo foi publicada pela Odontorevista no N. 72, reproduzo aqui com a intenção de divulgar devido a qualidade da notícia. Parabéns Antonio Inácio Ribeiro.

One thought on “Entrevista com o Prof. Clóvis Bramante

  1. Ola Dr Sergio mto interessante essa entrevista…
    sempre acompanho seu blog que é de muita valia no dia-a-dia e interessante para me atualizar com relação a prótese. Estou escrevendo por um dúvida que um colega me deu ontem… Sempre que faço uma reabilitação dentária seja unitaria ou parcial com elementes que possuem núcleo metálico fundido ou que necessitem esste tipo de retentor intra-canal, faço coroa metalocerâmica sobre, devido ao núcleo ser de metal. Ontem um colega me disse que ele tem realizado coroa metal free sobre os núcleos de metal, questionei sobre o sombreamento enfim, ele disse e garantiu bons resultados. Fiquei curiosa sobre, há essa possibilidade, coroa metal free sobre núcleo metálico?? qual o melhor tipo de material para esse procedimento?? Agradeço muito se puder me esclarecer um pouco sobre o assunto. Desde já Obrigada

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