O que é Endocrown?

É uma nova maneira de restaurar um dente posterior tratado endodonticamente.

É uma forma terapêutica que associa simplicidade de tratamento e qualidade do resultado final. Você pode diminuir o tempo de tratamento diminuindo o número de sessões necessárias para concluir a restauração. Isto diminui o custo e é menos desgastante para o seu paciente.

O preparo é simples e semelhante ao preparo de uma onlay ou overlay. Podemos separa-lo em duas etapas.

Primeiro realizamos o desgaste da superfície externa do remanescente dentário. Esta etapa deve ser executada com os mesmos princípios utilizados para o preparo dentário de uma coroa onlay ou overlay.

Na segunda etapa devemos preparar a superfície interna do elemento dentário, o desgaste nesta etapa deve ser restrito às paredes internas da câmara pulpar. Tem o objetivo de eliminar áreas retentivas que possam impedir o assentamento da coroa protética. Deve ser conservador para não enfraquecer o remanescente dentário, com o desgaste devemos somente obter um grau de expulsividade entre 6 e 10 graus. Este desgaste é suficiente para permitir o assentamento da coroa.

Como podemos ver o preparo é simples e não exige modificações complexas que dificultariam a compreensão da técnica . Quem está acostumado a fazer onlay ou overlay não encontrará dificuldade em executa-la.

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O vídeo a seguir é a continuidade do vídeo anterior que foi desmembrado pelas limitações técnicas de internet.

A técnica de preparo é semelhante à técnica de preparo das coroas onlay/inlay.

Muda somente o desgaste adicional para dar expulsividade às paredes da câmara pulpar.

A moldagem deve ser feita sem o uso do casquete, o material mais indicado é a silicona de adição

A cimentação deve ser adesiva, utilizando cimento resinoso e adesivo dentinário. O isolamento absoluto é imprescindível.

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Com esta emtrevista do Prof. Dr. José Mondelli procuramos aumentar a gama de informações e conteúdo científico sobre o sistema Endocrown, abaixo tiramos as dúvidas mais pertinentes sobre este tema.

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Abaixo estamos colocando uma cópia do artigo publicado sobre Endocrown.

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“Coroa Endodôntica Adesiva” como recurso terapêutico para dentes tratados endodonticamente.

“Adhesive Endo Crown” as therapeutic resource for endodonticcally treated teeth.

SÁBIO, SÉRGIO *

MONDELLI, JOSÉ**

SÁBIO, SILVIA SBEGHEN***

FURUSE, ADILSON YOSHIO****

BODANEZI, AUGUSTO*****

* Mestre e Doutor pela FOB-USP; Professor de Prótese da U.E.M.-Pr.

** Professor Titular em Dentística pela FOB-USP

***Mestre em Dentística pela FOB-USP, Professora de Dentística na UEM-Pr.

****Mestre em Dentística pela FOB-USP

*****Mestre em Endodontia pela FOB-USP

“Coroa Endodôntica Adesiva” como recurso terapêutico para dentes tratados endodonticamente.

Resumo

O presente artigo sugere uma forma terapêutica inovadora como restauração de dentes tratados endodonticamente e que apresentam grande destruição do remanescente coronário. As técnicas convencionais promovem a reconstrução destes elementos com núcleos metálicos fundidos, núcleos pré-fabricados ou núcleos de preenchimento associados a coroas parciais ou totais dependendo do grau de destruição coronária. Estes tratamentos têm apresentado ao longo dos tempos resultados bastante satisfatórios do ponto de vista clínico o que determina a sua aceitação pela classe odontológica. No entanto, são tratamentos caros e que exigem várias etapas operatórias. Em 1999, BINDL; MÖRMANN apresentaram uma forma terapêutica denominada Endo Crown que sugeria o tratamento deste dentes em uma única sessão através da construção de coroas adesivas pelo sistema Cerec. Nesta comunicação são sugeridas modificações adaptando ao sistema de restauração indireta materiais de uso laboratorial mais acessíveis e disponíveis ao clínico geral tais como as porcelanas modificadas ou resinas de laboratório. O sistema restaurador modificado apresenta boas perspectivas clínicas do ponto de vista funcional e estético, porque se adapta às condições da maioria dos laboratórios e, por essa razão o custo é mais acessível aos profissionais e pacientes, no entanto devido ao número de casos clínicos relatados é aconselhável que a indicação deste tipo de tratamento seja feita somente em casos selecionados.

Abstract

The present article suggests innovative form therapeutics as restoration of non-vital endodontically treated teeth with a circular equi-gingival butt-joint margin and a central retention cavity of the entire pulp chamber. In 1999, BINDL; MÖRMANN presented a denominated therapeutic form Endo Crown that suggested the treatment of this teeth in an only session through the construction of adhesive crowns for the system Cerec. In this paper they are showed clinically successful results for premolars and molars restored with endo-crowns. The modified restoring system presents good overall clinical quality of the functional and aesthetic point of view, because it adapts to the conditions of most of the laboratories and, for that reason the cost is more accessible, however due to the number of few clinical cases it is advisable that the indication of this work type should be made in selected cases.

Unitermos: Onlay, non-vital endodontically treated teeth, pulp chamber, cimento adesivo, In-Ceram system.

Keywords: Onlay, endodontically treated teeth, In-Ceram system, composite luting agent.

Introdução

O tratamento de dentes que apresentam comprometimento do órgão pulpar tem sido um desafio para a odontologia restauradora, e tem despertado o interesse de muitos autores e clínicos(3, 4, 7, 13, 14). Mesmo antes de Pierre Fauchar, publicar em seu livro de 1728 sobre a utilização de pinos fabricados em ouro ou prata e fixados ao remanescente dentário com um cimento termoplástico chamado MASTIC, já se utilizava pinos confeccionados em madeira e que obtinham fixação ao dente através da pressão exercida sobre as paredes radiculares em função da absorção da saliva.

A princípio estas técnicas restauradoras eram limitadas pela falta de um método terapêutico do canal radicular. Com o desenvolvimento e aperfeiçoamento do tratamento endodôntico foi possível empregar materiais e técnicas com o objetivo de proporcionar ao paciente um recurso terapêutico mais adequado.

O surgimento do sistema de Coroa Endodôntica Adesiva procura satisfazer mais apropriadamente a indisponibilidade de tempo dos pacientes da sociedade moderna, e foi primeiramente sugerido por BINDL; MÖRMANN, em 1999 como uma terapia de restauração do elemento dentário através do sistema Cerec CAD\CIM, à semelhança das coroas metalocerâmica confeccionadas em monobloco (coroa de porcelana, base, núcleo e pino) por FRANCISCHONE ET AL. (1978) ou as restaurações M.O.D. com cobertura de cúspides e pino intracanal numa única peça, como apresentado por DELLAQUE, 1971 em seu livro texto.

Este método procura aliar as características de estética e retenção ao remanescente sem sacrificar a estrutura dentária sadia e excelente relação entre o custo e o tempo operatório.

O sistema de coroa endodôntica parte do princípio de que o meio mais efetivo para manter a resistência do dente restaurado é a preservação da estrutura dentária remanescente, porque nenhum material restaurador odontológico a substitui adequadamente. Desse modo a construção de um núcleo em determinadas situações, pode ser considerada uma manobra complexa e que envolve um risco adicional e que, portanto, pode ser substituída. Numa análise sobre as várias modalidades de tratamento de dentes desvitalizados SORENSEN; MARTINOFF observaram que em 12,7% dos dentes tratados com núcleos cônicos e 10% com núcleos de paredes paralelas apresentavam fratura radicular enquanto dentes que não recebiam este tipo de tratamento não apresentavam fratura radicular. Segundo BINDL; MÖRMANN, a utilização da câmara pulpar incorporada ao corpo da coroa de porcelana, apresenta ainda a vantagem de aumentar a resistência do material restaurador devido a maior espessura obtida.

O volume de tecido dentário perdido devido às lesões de cárie, trauma, erosão, abrasão, atrição e intervenções iatrogênicas permanecem como o fator determinante no planejamento restaurador dos dentes tratados endodonticamente. Contudo a localização e configuração do acesso endodôntico (abertura coronária e desgaste compensatório na embocadura dos condutos) é considerado tão importante quanto o volume de tecido perdido pelas causas citadas(12).

Comparando com outros fatores clínicos, tais como, a existência de restaurações e tratamentos prévios, a perda de tecido e a natureza e a forma de acesso dos condutos determinará o tipo de tratamento. A excessiva remoção de estrutura necessária para a utilização de pinos metálicos ou não pode enfraquecer a raiz (7).

Outro fator a ser considerado é quando estes dentes apresentam coroas clínicas curtas que exigem desgaste adicional da estrutura dentária, para aumentar a superfície de retenção. Nestes casos as coroas endodônticas podem ser uma opção conservadora para estes dentes.

Este artigo tem o objetivo de apresentar um novo recurso terapêutico, o sistema de Coroa Endodôntica, e discutir a técnica de confecção, os materiais mais indicados, a anatomia de preparo e apresentar casos clínicos.

Técnicas de preparação cavitária

As coroas endodônticas são semelhantes anatomicamente às coroas overlay, diferenciando-se somente pela sua extensão intracoronária, onde apresentam uma projeção que se estende e preenche a câmara pulpar coronária.Fig.1A. Um desgaste adicional, nas paredes laterais da câmara pulpar é necessário para permitir uma diretriz de inserção e remoção e o seu correto assentamento da porção endodôntica da coroa. Paredes expulsivas com uma angulação de aproximadamente 10º graus possibilitam essa diretriz adequada sem remover grande quantidade de estrutura dentária, e sem comprometer a resistência do remanescente(1, 10). Fig. 1B.

Pode-se penetrar até dois milímetros na embocadura do conduto de maior calibre para alojar uma projeção da porção endodôntica, com o objetivo de aumentar a retenção. Fig. 1C. Esta saliência poderá ser evitada caso as paredes da câmara pulpar e do remanescente coronário sejam suficientes para proporcionar retenção e estabilidade adequadas.

Fig. 1A. Vista lateral da restauração de porcelana em monobloco. 1B. esquema mostrando a angulação de 100 das paredes da extensão endodôntica  em seus limites externos; 1C. Vista da base inferior evidenciando  as pequenas saliencias correspondentes a extensão de 1 a 2mm das embocaduras dos condutos.

Os limites cervicais externos do preparo dentário devem seguir os princípios determinados para as coroas totais onlay e inlay adesivas convencionais, isto é, a determinação com ponta diamantada n03118 e/ou 4372 de um chanfrado com forma côncava e profunda a fim de se conseguir um bom vedamento marginal e retenção(10).

Os limites cervicais da coroa endodôntica adesiva sempre que possível devem ser posicionados supragengivalmente para facilitar o processo de moldagem e adaptação e conseguir margens cervicais em esmalte, desse modo estaremos conseguindo embricamento mecânico para o agente cimentante adesivo que se comporta de forma imprevisível na dentina. No entanto, como isto nem sempre é possível pode-se estabelecer o limite cervical também com formato cônico em cemento ou dentina de 0,5 a 1 mm no interior do sulco gengival procurando não comprometer o espaço biológico.

A região da câmara pulpar deve receber um desgaste suficiente para remover possíveis retenções que venham a impedir o assentamento da coroa endodôntica adesiva. Dessa forma as paredes devem apresentar um ângulo divergente em direção oclusal de aproximadamente 10°. Esta inclinação é conservadora e não implica em desgaste acentuado das paredes laterais da câmara ou das paredes remanescentes da porção coronária.

O envolvimento ou não de uma ou mais cúspides no corpo ou segmento oclusal da coroa endodôntica dependerá da capacidade de sua estrutura de esmalte/suporte de dentina de resistir às forças mastigatórias. Uma vez removido o teto da câmara pulpar ocorre uma alteração na relação entre a base da cúspide e o seu comprimento (fenômeno da cúspide alongada) (11). Esta alteração debilita a resistência estrutural exigindo um mínimo de 2mm de dentina sadia na base da cúspide para suportar os esforços mastigatórios.

O acabamento final das paredes e margens da cavidade deve ser meticuloso e realizado com brocas multilaminadas e/ou pontas diamantadas de granulometria fina girando em baixa rotação e instrumentos cortantes a fim de alisar as paredes internas e eliminar os prismas marginais fragilizados para proporcionar maior fidelidade de adaptação da coroa à cavidade e melhorar o desempenho do agente cimentante.

AB

Figura 2A e B. Primeiro molar inferior direito com tratamento endodôntico e extensa destruição coronária, apresentava também contato cervical sem reparação com os dentes vizinhos e presença de área de col inflamada (B)

Figura 2C. e relacionamento oclusal normal com os antagonistas.

Fig. 3A, B e C. (A) Desgaste proximal sendo determinado com ponta diamantada fina e longa a fim de promover a separação com o dente visinho e possibilitar a recuperação da gengiva inflamada na região interproximal distal (B); Aspecto da área de col ceratinizada e convexa.

Fig. 4A, B e C.(A)  Moldagem realizada com silicona de adição; Aquasil (Dentsply) com moldagem únicas;  (B) e © Pormenores do molde onde se pode observar que o material de moldagem copiou adequadamente tanto a porção da câmara  pulpar coronária quanto o término cervical.

Fig. 5A, B e C. Vista oclusal da coroa endodontica confeccionada com In Ceram. Esta anatomia evita o uso de procedimentos adicionais e elimina a etapa de construção do núcleo.

Fig. 6A, B e C. O ajuste foi realizado antes da cimentação pois estávamos trabalhando com o sistema In Ceram que apresenta boa resistência e além do mais a peça tem volume maior devido a porção da câmara pulpar. Devido ao desgaste para ajuste da porcelana foi necessário que a peça retornasse ao protético para nova aplicação do glaze.

Fig. 7A, B e C. Os prcedimentos de cimentação devem levar em consideração o tipo de porcelana  e o cimento utilizado. Neste caso clínico para o condicionamento da peça protética foi utilizado o jateamento, condicionamento com  ácido fosfórico, aplicação de silano e adesivo.

Fig.8 A, B e C. Para o condicionamento da estrutura dentária foi utilizado o condicionamento com ácido fosfórico, lavagem abundante, remoção do excesso de úmidade e aplicação do sistema adesivo Single Bond. Este adesivo foi utilizado por ser compátivel com o cimento escolhido, no caso o Rely X na Cor A3.

Fig. 9A, B e C. O cimento foi misturado por 10 segs. e aplicado com pincel sobre a peça protética. A peça foi posicionada, os excessos foram removidos e o cimento foi fotopolimerizado por 30 segs. em cada uma das faces. O isolamento absoluto foi removido e a adaptação e presença de excessos de cimento foi novamente checada.

Fig. 10A, B e C. O sistema In Ceram foi utilizado devido a resistência e qualidade estética do material. O caso clínico descrito pode restaurar  satisfatóriamente o elemento dentário eliminando um procedimento operatório e diminuindo o custo de confecção do trabalho.

Fig. 11A, B e C. A radiografia mostra as boas condições do tratamento endodontico, condição necessária para a execução deste tipo de tratamento. Uma moldagem prévia foi realizada com silon para a confecção de provisória pois já se suspeitava da necessidade de restauração com coroa.

Fig. 12A, B e C. Após a adaptação da provisória e antes da sua cimentação foi realizada uma moldagem com uma silicona de adição, a técnica utilizada foi a do reembasamento, com o uso de fio e substância de afastamento gengival.

Fig. 13A, B e C. A coroa endodontica para este caso foi construída em resina de laboratório.

Fig. 14A, B e C. Após a cimentação foi realizado o ajuste da oclusão e polimento das superfícies desgastadas.

Fig. 15A, B e C. O  ajuste completo da oclusão nas posições cêntricas e excentricas garante o bom funcionamento da prótese instalada.

Fig. 16A e B. As figuras acima mostram a situação inicial e o aspecto final da restauração ascentada.

Comentários

A reconstrução de pré-molares e molares tratados endodonticamente é um procedimento complexo devido a grande perda de estrutura dentária e o risco de perfuração lateral durante a instrumentação do conduto ou um grande número de fratura radicular que pode ocorrer depois da instalação de núcleos intrarradiculares(15). A perda da sensibilidade é outro dos fatores relevantes que aumentam a complexidade do planejamento para restaurar dentes despolpados e que são mais susceptíveis à fratura do que dentes polpados. Essa falta de sensibilidade pulpar limita grandemente o feedback sensorial durante a ação das forças mastigatórias (14). Talvez por isso os dentes despolpados provovalmente estariam expostos a um maior índice de fratura. Isto provoca uma maior carga sobre a cerâmica que constitui o material restaurador, sobre a interface adesiva e a estrutura dentária remanescente.

O sistema “Endo Crown”, foi sugerido por BINDL; MÖRMANN,no ano de 1999, como uma forma rápida de confeccionar uma coroa total sem pino ou núcleo, originalmente construída via computador onde as coroas de porcelana são usinadas pelo sistema CEREC-CAM. Os procedimentos indiretos propostos aqui para a Coroa Endodôntica Adesiva se diferenciam pelo método de confecção tanto em laboratório como na clínica procurando manter uma estrutura em monobloco e o princípio de simplificação proposto para a “Endo Crown”. Convém salientar que a idéia de simplificação não é recente, pois DELLAQUE em 1971 indicava a restauração de dentes despolpados com ligas de ouro numa única estrutura sem a confecção de núcleo. O mesmo princípio foi proposto por FRANCISCHONE et al., em 1978 para a confecção de coroas metalocerâmica para dentes despolpados com coroa clínica curta em um monobloco (coroa de porcelana, base, núcleo e pino).

A semelhança apresentada pela coroa endodôntica com uma coroa metalocerâmica ou totalmente metálica confeccionada em monobloco dependerá do material utilizado. Coroas metálicas apesar de apresentarem boa resistência não satisfazem esteticamente. Portanto as porcelanas e resinas de laboratório parecem ser mais apropriadas, apresentando maior variedade de opções e de materiais estéticos.

O desenvolvimento de porcelanas modificadas e a resistência demonstrada por elas possibilitam a sua utilização com bastante segurança mesmo na região de transição entre a porção intracâmara pulpar e a região de reconstrução da coroa, onde deverá ser submetido a um maior esforço devido à diferença de espessura entre as duas porções. Na região oclusal onde o esforço mastigatório poderia fraturar a porcelana e comprometer a integridade da coroa quando não possui espessura mínima de aproximadamente 2mm, ela é bastante volumosa e, por isso resistente.

A confecção de um núcleo de preenchimento ou fundido com pino intrarradicular tem o objetivo de restabelecer parcialmente ou totalmente a estrutura coronária perdida por processos cariosos ou por trauma. Outro motivo alegado, mas sem consenso na literatura é o de que o núcleo poderia aumentar a resistência do remanescente coronário (8, 9, 13). Este procedimento quando não realizado pode trazer benefícios consideráveis desde que diminui o tempo clínico na cadeira odontológica e previne os riscos de confecção de núcleos com pinos intrarradiculares. O sistema de coroa endodôntica adesiva, diminui o tempo operatório simplificando o processo de confecção, eliminando o procedimento de reconstrução coronário por meio de núcleos de preenchimento ou fundido retido por pinos intrarradiculares que podem comprometer o prognóstico.

Por outro lado o desenvolvimento dos cimentos resinosos possibilitou a preservação de estrutura dentária que anteriormente era sacrificada para se obter maior área de superfície para retenção. BINDL; MÖRMANN indicam o uso deste agente de cimentação porque a integração adesiva obtida entre o material restaurador adesivo, cimento resinoso e dentina remanescente pode contribuir para distribuir melhor a força mastigatória lateral durante os contatos oclusais de trabalho e não trabalho. Esses autores alegam ainda que o uso deste tipo de cimento também contribui para melhorar a qualidade de retenção visto que a utilização da câmara pulpar não proporciona aumento de retenção macromecânica.

O sistema de Coroa Endodôntica parece ser um recurso terapêutico bastante seguro e estético, além de proporcionar um ganho de tempo clínico e conseqüente diminuição de custo bastante significativo. Como todo tipo de tratamento, exige uma comprovação clínica que qualifique definitivamente a sua indicação, no entanto, devido as condições clínicas observadas e acompanhamentos clínicos de 2 a 5 anos relatados(3, 14), pode-se prever um futuro bastante promissor para este tipo procedimento restaurador.

Conclusões

Baseado nos resultados imediatos dos casos clínicos realizados pode-se concluir que o sistema de Coroa Endodôntica:

– é um recurso terapêutico promissor de fácil elaboração e que exige um tempo clínico menor do que restaurações indiretas convencionais;

– apresenta um custo menor devido ao menor número de etapas envolvidas na sua confecção e contorna a indisponibilidade de tempo do paciente;

– possui boa aceitação estética quando confeccionada com materiais não metálicos tais como cerâmicas e resinas de laboratório;

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:*

  1. ASSIF, D.; GORFIL, C.  Biomechanical considerations in restoring endodontically treated teeth. J. prosth. Dent., v.71, n.6, p.565-7, June 1994.
  2. BINDL, A.; MÖRMANN, W.H., Clinical evaluation of adhesively placed Cerec endo-crowns after 2 years – preliminary results. J. Adhesive Dent., v.1, n.3, p.255-265, 1999.
  3. BINDL, A.; MÖRMANN, W.H., An up to 5-year clinical evaluation of posterior In-Ceram CAD/CAM core crowns. Int. J. Prosthodont., v.15, n.5, p.451-6, 2002.
  4. CAPUTO, A. A.; STANDLEE, J.P.  Pins and post  why, when and how.  Dent. Clin. N. Amer., v.20, n.2, p.299-311, April 1976.
  5. DELLAQUE
  6. FRANCISCHONE et al.,
  7. GÖHRING, T.N.; PETERS, O.A., Restoration of endodontically treated teeth without posts. Am. J. Dent., v.16, n.5, p313-318, 2003.
  8. GUTMANN, J.L.  The dentin-root complex: anatomic and biologic considerations in restoring endodontically treated teeth.  J. proth. Dent., v67, n.4, p.458-67, Apr. 1992.
  9. GUZY, G.E.; NICHOLLS, J.I.  In vitro comparison of intact endodontically treated teeth with and without endo-post reinforcement.  J. prosth. Dent., v.42, n.1, p.39-44, July 1979.
  10. MONDELLI, et al., Técnicas restauradoras para dentes com tratamento endodôntico. R.D.R., v.1, n.3, p.97-158, jul/Ago/Set. 1998.
  11. MONDELLI, J., Estética e cosmética em clínica integrada restauradora. 1ª. ed. Quintessence Editora Ltda, São Paulo, 2003.
  12. LASTARGUES et al., 1997.
  13. LLOYD, P.M.; PALIK, J.F. The philosophies of dowel diameter preparation: a literature review. J. prosthet. Dent., v.69, n.1, p.32-6, Jan. 1993.
  14. OTTO, T., Computer-aided direct all-ceramic’crowns: preliminary 1-year results of a prospective clinical study. Int. J. Period. Rest. Dent., v.24, n.5, p.446-455, 2004.

15. SORENSEN, J.A.; MARTINOFF, J.T., Intracoronal reinforcement and coronal coverage: a study of endodontically treated teeth. J. prosthet. Dent., v.51, n.6, p.780-4, June 1984.

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10 thoughts on “O que é Endocrown?

  1. Por favor, estou terminando minha especialização em Dentística, é minha monografia é sobre ENDOCROWN, estou pesquisando mas não consegui muita coisa, livro eu só achei um capitulo no ultimo livro do Baratiere, gostaria de saber se tem algum livro do professor Mondelli ou de outro professor que fale do assunto ou algum artigo para eu ler.Obrigada! Mariana

  2. Boa tarde, eu estou agora a começar a minha tese de mestrado e não encontrei muitos artigos sobre endocrown. Sabe dizer-me onde posso encontrar mais informaçao?
    obrigada
    Mariana

  3. Bom dia Dr Sergio.
    Tenho uma dúvida: a coroa endocrow serve como pilar de PF?Ex: dente 25 tratado endodonticamente e dente27 com restauração MOD.
    Não sei porque a faixa da dental Alemão fica bem em cima dos ícones do seu site e não dá para clicar neles.
    Obrigada
    Angélica

  4. esse sistema Endocrown não seria quase o mesma coisa de confeccionar um bloco “peça” acompanhei as aulas na qual diz que os nucleos por ser formato conico a uma pedisposição em promover um efeito cunha onde podedar ocrrer fraturas devido a força mastigatoria, ja recebi em meu consultorio varias passoas que fizeram peças chamadas de bloco onde o insucesso foi muito alto. Onde percebo que esse sistema é quase a mesma coisa ou não?

    • Tb tenho visto muito insucesso relacionado a esse tipo de procedimento!! Isso não serviria como uma cunha sobre as paredes do dente, visto que a profundidade da câmara é grande e há grande quantidade de material restaurador? As forças mastigatórias não fraturariam essas paredes com o tempo?? Não faço esse procedimento em meu consultório, tenho receios…. Abraços!!!

  5. Olá Professor Sérgio, gostei muito do seu trabalho, mas não consegui visualizar as imagens durante a técnica, haveria outra possibilidade de visualização.
    Agradeço.
    Thiago

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